adoro a imagem de um lírico e não de um épico, de um Maiakóvski intempestivo.
Ontem foi um ferreiro que me acordou, batendo com seu martelo nos ferros avermelhados (sangrados pelo fogo) de uma ferradura, instrumento que aprisiona a liberdade dos cavalos cavalgarem....
ele batia nesse ferro como se estivesse a modelar o próprio coração de Ragôjan, modelar para que ele pudesse se moldar ao jeito de amar do príncipe, mas Ragôjan só ama como um cavalo e não como um jumento...o amor do cavalo não é incondicional como o do jumento... o cavalo age desejando o seu próprio e apaixonado prazer de cavalgar...
Ontem alimentei alguns cavalos, e eles ficaram, antes de receber o balde com farelo e milho, num estado de excitação tão grande que me deu vontade também desse amor selvagem, intempestivo, insaciável!
E quando o amor chegou, eles se silenciaram, todos juntos, e ajoelharam aos pés de seu amor, e ali poderiam ficar por horas a lamber e se lambuzar...
Sérgio Siviero - Ragôjan direto da França
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